Volkswagen pode produzir armamento
- Pedro Junceiro
- 14 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de mar.
Com a Europa a assumir o robustecimento do setor da Defesa, a Volkswagen pode vir a ter um papel relevante na produção de armamento, aproveitando mesmo algumas das suas infraestruturas que poderão vir a ficar sem produção no futuro, como é o caso da fábrica de Osnabrück, na Alemanha.

O esforço europeu no sentido de reforçar a sua indústria da Defesa poderá vir a contar também com o envolvimento de construtores automóveis, numa fase em que a União Europeia procura tornar a área da produção mais forte e independente da dos Estados Unidos da América (EUA), fruto da instabilidade geopolítica causada pela aparente aproximação de Donald Trump à Rússia de Vladimir Putin.
Neste sentido, a Rheinmetall, maior produtora europeia de armamento, está interessada em analisar o potencial de converter a fábrica de Osnabrück para a área do armamento. Em dezembro, ao abrigo de uma revisão profunda do seu plano de produção para o futuro, a Volkswagen anunciou o final da produção do T-Roc Cabrio em Osnabrück, tendo declarado então que iria procurar alternativas para tentar salvaguardar os postos de trabalho. Essa hipótese poderá passar pelo setor do armamento.
Em declarações citadas pela Reuters, Armin Papperger, o administrador-delegado da Rheinmetall, explicou que está a analisar a possibilidade de comprar fábricas a construtores automóveis para convertê-las em centros de produção de armamento europeu, mesmo que sujeitas a algum trabalho de adaptação.
Papperger declarou ainda que a sua empresa está em conversações com a Volkswagen quanto ao potencial de converter a fábrica de Osnabrück, embora nada esteja decidido. “Uma coisa é clara: antes de construirmos uma fábrica de [produção de] tanques na Alemanha, vamos seguramente olhar para essa possibilidade”.

No mesmo sentido, Oliver Blume, o administrador delegado da Volkswagen, referiu em declarações ao meio de comunicação ZDF que uma das formas para sair das dificuldades financeiras pode passar pela produção de armamento, em linha com o esforço militarista do continente europeu. Blume garante que nada foi decidido, mas indicou que a empresa está aberta a essa possibilidade para Osnabrück e para Dresden.
Note-se que a Rheinmetall e o Grupo Volkswagen contam já com uma ligação por meio da Rheinmetall MAN Military Vehicles, da qual a Rheinmetall detém 51% das ações, com o resto na posse da MAN Truck & Bus SE, divisão da Traton, que é maioritariamente detida pelo construtor alemão de Wolfbsurgo.
Ainda no campo bolsista, a cotação das ações da Rheinmetall subiu consideravelmente nas últimas semanas após o anúncio do reforço do setor estratégico de Defesa europeia – desde meados de fevereiro até meados de março, a cotação subiu mais de 60%, sublinhando dessa forma a expectativa de crescimento e de lucros por parte da companhia para os próximos anos.
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