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Leapmotor T03: ao volante do rival do Dacia Spring!

Atualizado: 9 de out. de 2024

Pronto para desafiar o Dacia Spring no “campeonato” dos automóveis elétricos acessíveis, o Leapmotor T03 apresenta-se na Europa pelas "mãos" da Stellantis e com o objetivo primordial de propor tudo o que é essencial aos condutores, sem descurar preocupações com a conetividade e a segurança. O preço (estimado) abaixo dos 20.000 € é argumento poderoso para o T03, mas será suficiente para "bater" o modelo da marca romena?



Prestes a chegar ao mercado europeu, a Leapmotor assenta as suas esperanças de expansão europeia com dois modelos muito específicos: o T03 para o segmento dos elétricos de baixo custo e o C10 para o segmento SUV-D. Dois produtos bastante diferentes no conceito geral e na estética, mas com a premissa comum de permitir um acesso mais fácil à mobilidade elétrica sem comprometer a qualidade e a funcionalidade.

 

Efetivamente, o destaque concedido ao T03 é justificado. O pequeno elétrico (mede apenas 3620 mm de comprimento, 1652 mm de largura, 1577 mm de altura e 2400 mm de distância entre eixos) posiciona-se como um modelo de acesso à eletrificação plena, concebido para uma utilização mais urbana, mas sem descurar outros ritmos fora dela.



Nesse sentido, o desenho do T03 destaca-se por alguma simplicidade, mas com apontamentos interessantes como as jantes de liga leve em alumínio de 15 polegadas (com desenho de “pérolas”) ou a iluminação com tecnologia LED na dianteira para as luzes de circulação diurna e para os farolins atrás, dando um visual mais moderno ao modelo. Pode também dispor de teto de abrir panorâmico de 42 polegadas (com cortina elétrica) e de pintura bicolor. Por último, os espelhos retrovisores exteriores são aquecidos, ajustáveis eletricamente e incluem indicadores de mudança de direção LED integrados,

 

O aspeto arredondado do exterior, que a marca aponta como jovial e irreverente, poderá não ser do agrado de todos, sendo a questão mais subjetiva do modelo, mas esconde um interior bem montado e com espaço convincente (nomeadamente, na altura disponível a bordo), embora não surpreenda nos materiais utilizados, recorrendo essencialmente a uma vasta panóplia de plásticos duros, embora texturizados, o que ajuda numa maior perceção de qualidade visual. Há ainda 16 espaços de arrumação a bordo, o que incrementa a sua funcionalidade.



Por outro lado, a marca chinesa aposta na tecnologia: além de um painel de instrumentos digital de 8 polegadas, o T03 dispõe também de um grande ecrã central tátil de 10,1 polegadas com sistema de navegação conectada, aplicações de música online e a capacidade de melhorar as suas capacidades remotamente por via de atualizações “over-the-air”, mediante ligação 4G que monitoriza e melhora constantemente as funcionalidades do sistema.


Destacados pela marca são os vidros elétricos nas quatro portas, o volante multifunções em couro, o ar condicionado automático, o travão de estacionamento elétrico e a câmara traseira.

 

O modelo dispõe ainda de sistema de interação por voz, que reconhece com precisão os comandos vocais emitidos pelo ocupante e permite gerir funções como a navegação, o telefone e o controlo dos sistemas multimédia. Voltando ao ecrã, este tem excelente visibilidade e manuseamento muito semelhante ao de um smartphone. Com recurso à “app” da marca é possível controlar várias funções como a temperatura a bordo, localização ou programar o carregamento. A abertura das portas também pode ser feita através do smartphone via Bluetooth.



Solidez que surpreende 

Sendo um modelo de entrada na mobilidade elétrica, o T03 dispõe de motor elétrico desenvolvido pela Leapmotor, com 95 cv (70 kW) de potência e 158 Nm de binário, valores que ajudam este citadino a mostrar grande genica e boa capacidade de resposta, sobretudo em cidade, embora também evidencie bom desempenho fora dela: não compromete as prestações em percursos por nacionais e demonstra ganhos de velocidade bastante aceitáveis para o segmento em questão, o que é um bom predicado para o T03. Quanto a dados, tem velocidade máxima de 130 km/h e acelera dos 0 aos 100 km/h em 12,7 segundos (5,0 segundos dos 0 aos 50 km/h), números relativamente modestos, mas que se adequam às pretensões do T03.


A bateria, também da Leapmotor, tem 37,3 kWh de capacidade, apregoando uma autonomia homologada combinada de 265 km (até 395 km em ciclo urbano).

O conjunto motriz elétrico é gerido por um Sistema Inteligente de Gestão da Bateria (Intelligent Battery Management System) que utiliza tecnologia baseada na “cloud” para monitorizar o estado da bateria em tempo real e garantir que esta opera sempre nas condições ideais de temperatura. No nosso primeiro contacto, com abordagem muito tranquila na condução, conseguimos médias de 11,2 kWh/100 km num percurso de 40 km e de 13 kWh/100 km noutro de igual distância. Valores mais favoráveis do que os 16,3 kWh/100 km homologados em ciclo WLTP, mas faltou-nos percursos por autoestrada que são geralmente mais penalizadores.



Bem insonorizado, este é também um ponto a seu favor, embora o som de alerta para os peões (até aos 30 km/h) seja intrusivo e demasiado “ficção científica”… Mas, o T03 tem ainda um trunfo válido na forma da sua robustez de condução. Mesmo sendo um automóvel pequeno, este Leapmotor demonstra boa solidez geral, apoiado por um amortecimento bem conseguido a pensar mais no conforto do que na agilidade, o que é acertado para este modelo.

 

“Pisa” bem no mau piso e oferece ótimos índices de conforto, embora o “feeling” da direção não seja propriamente informativo, tendo aqui um ponto a melhorar, mesmo com a possibilidade de ter três modos de assistência (“Comfort”, com aumento da assistência para uma condução mais leve e confortável; “Sports”, que reduz a intensidade da direção; e o modo “Standard”, que faz um compromisso entre as anteriores).



Quanto ao dinamismo, aplica-se o termo de agilidade para o que consegue fazer em cidade, “navegando” bem pelos espaços mais exíguos graças a um raio de virgem de 9,7 metros. Por outro lado, a chuva intensa que caiu durante os dias da apresentação internacional, na região de Milão, também não incentivou que se explorassem outras abordagens mais agressivas em percursos por estradas nacionais. Aliás, a chuva também permitiu perceber que “falta” uma escova de limpeza do óculo traseiro, que permitiria melhorar a visibilidade para a retaguarda neste tipo de condições.

 

O condutor pode variar os modos de condução, destacando-se o “Eco”, que otimiza a travagem regenerativa e suaviza a resposta do motor. No polo oposto, o modo “Sports” maximiza a entrega da potência e suaviza a regeneração de energia pela travagem. O modo “Standard” é o mais equilibrado. A coluna de direção tem ajuste em altura, mas não em profundidade.



Quanto ao chassis, além da distribuição de peso perfeita (50:50), a Leapmotor escolheu um esquema de suspensão dianteira MacPherson e de barra de torção atrás, o que permite baixar o peso e, também, o preço, ao passo que o sistema de travagem é composto por quatro discos ventilados para melhorar a dissipação do calor e reduzir a fadiga térmica. O carregamento faz-se através de tomadas Tipo 2 e CCS, com um carregador de bordo de 6,6 kW (3h30 de 30% a 80%) e potência máxima de carregamento de 48 kW (DC) nos postos de carga rápida (36 minutos de 30% a 80%).

 

Na segurança, o T03 apresenta uma estrutura com 68% de aço de ultraeleveada resistência, seis airbags e 10 sistemas ADAS, incluindo o assistente de ângulo morto ou o alerta de abertura de portas ao sair do veículo, com base numa plataforma de “hardware” com 3 câmaras, 2 radares de ondas milimétricas e 3 radares ultrassónicos.



Simplicidade total 

Ainda sem preços anunciados para Portugal, onde se espera que comecem a chegar ao mercado no último mês do ano, a marca estabeleceu como meta um preço abaixo dos 20.000€ (é de 18.900€ noutros mercados), visando diretamente o Dacia Spring no segmento dos modelos elétricos de baixo custo, mas também o Citroën ë-C3 que ainda está na rampa de lançamento.

 

Preço abaixo dos 20.000€

Para sublinhar esta sua abordagem, a marca aposta numa oferta simples de gama – tão simples que há apenas um opcional, a cor metalizada (entre “Light White”, “Stary Silver” e “Glacier Blue”). A razão prende-se com a necessidade de reduzir a complexidade de produção nesta fase inicial, mas outras possibilidades de personalização poderão ser aplicadas numa fase posterior.



Recorde-se que Portugal está entre os primeiros mercados internacionais a receber os automóveis da Leapmotor International, empresa criada a partir de uma aliança entre a Stellantis e a Leapmotor (num esquema de participação de 51/49). Além de Portugal, também Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Roménia, Espanha, Suíça e Reino Unido estão na “linha da frente” para a nova marca.

 

Em suma, o preço certamente que ajudará bastante no seu percurso comercial, mas o T03 exibe outros atributos a ter em conta e que, porventura, não eram expectáveis – impressão de condução muito sólida, com desempenhos agradáveis e vertente tecnológica muito valorizada num mundo em que se quer cada vez mais e melhor conectividade.



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